8 de fev de 2011

Eram assim as coisas na infância...*

Eram assim as coisas na infância: brincava-se na rua, e de tudo: amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, boca-de-forno, e até de casinha e de médico. Podíamos sair bem à vontade, rodar todo o bairro e só voltar para casa quando ouvíssemos os berros da nossa mãe chamando-nos para jantar. E todo mundo era igual.

Sonhávamos em ser apenas médicos, advogados, arquitetos (ou engenheiros) e jogadores de futebol - dos bons, frise-se. Ainda podíamos sonhar, sem censura e com liberdade; sem medo do destino e de ser feliz; sem medo de frustrações. Frustrações?! Que era esta palavra pra nós? Só algum termo das proibidas conversas de adultos.

Comíamos chocolate aos montes, sem medo de espinhas... Lutávamos como nossos super-heróis, e sempre queríamos repetir suas vitórias - às vezes, brigávamos de verdade mas logo, logo, ficávamos 'de bem'. Até que estudar era uma boa, 'para ser alguém na vida', como costumávamos ouvir, repetidamente, dos nossos pais. Chatas eram as atividades para se fazer em casa.

Não perdíamos um único Xou da Xuxa e a maior vontade era, de um dia, mandar 'um beijo pra mamãe, pro papai e, especialmente, para você!'. Quem não queria descer do disco voador, agarrado na mão da Rainha dos Baixinhos? E quem perdia um único episódio de Caverna do Dragão, He-Man e coisas afins?

São assim as coisas na vida adulta: não brincamos mais e nem toleramos os brincalhões. Nossos heróis são fracos e bobos; morrem de overdose. Passamos a maior parte o tempo ou na correria, ou trancafiados em nosso mundinho cor-de-rosa, cercados por grades, uma pseudoproteção. Temos medo das ruas. Não temos certeza de quem queremos ser, apenas do que queremos ter. Não sonhamos mais, temos 'o pé no chão'.

Nossos amigos têm cor. Brigamos por pouca coisa e com todo mundo. Xuxa não passa de uma mulher chata e infantil, que não se põe em seu devido lugar. Lemos O Pequeno Príncipe e, no outro dia, nem lembramos mais do que o autor dizia sobre 'cativar'. Corremos muito, e atropelamos os outros. Pedimos desculpas - às vezes - sem olhar nos olhos.

Juramos um amor que só dura uma boa noite de sexo. Deixamos de gostar da vida e do colo da mamãe. Queremos voltar a ser criança e desejar, nunca, querer ser adulto, mesmo sabendo que sendo adulto, jamais deixamos de ser crianças.


*NOTA: RESPEITE A PROPRIEDADE INTELECTUAL.
 
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